Sejamos sinceros: o gênero de guerra no cinema é uma experiência peculiar. Nós pagamos (caro) para ver pessoas cobertas de lama, gritando ordens que mal entendemos, enquanto tudo ao redor explode em 4K. É o único momento em que ficar sentado comendo pipoca enquanto o mundo acaba na tela é considerado "enriquecimento cultural". Mas, entre o heroísmo exagerado de Hollywood e o realismo depressivo do cinema europeu, quais filmes realmente merecem o seu tempo (e o seu estoque de lenços)? Prepare o capacete, ajuste o fone de ouvido e confira nossa lista neutra — mas levemente ácida — dos 5 melhores filmes de guerra.
1. O Resgate do Soldado Ryan (1998)
O filme que traumatizou o seu home theater
Se você nunca viu os primeiros 20 minutos deste filme, você provavelmente vive em uma caverna (o que, ironicamente, seria um ótimo esconderijo de guerra). Steven Spielberg decidiu que "realismo" era pouco e resolveu colocar a audiência dentro de um moedor de carne na Praia de Omaha.
O Enredo: O exército americano decide que um único soldado, cujos irmãos morreram, vale o risco de enviar uma unidade inteira para o meio do caos. Logística militar clássica.
Por que assistir: Pela imersão técnica. É o filme que definiu como o som de balas zunindo deve parecer.
O lado "humano": Tom Hanks interpreta o Capitão Miller, o homem que todos gostaríamos de ter como chefe: calmo, resiliente e que não faz reuniões de Zoom que poderiam ter sido um e-mail.
2. Apocalypse Now (1979)
Ou "Como enlouquecer em um rio no Vietnã"
Este não é apenas um filme; é um teste de resistência psicológica. Francis Ford Coppola quase faliu, os atores quase enlouqueceram e o set de filmagem parecia, bem, uma guerra de verdade.
O Enredo: O Capitão Willard precisa subir um rio para "encerrar o comando" (leia-se: assassinar) o Coronel Kurtz, que decidiu abrir sua própria franquia de culto místico na selva.
A vibe: É uma viagem de ácido com cheiro de napalm pela manhã. Se você gosta de filosofia misturada com helicópteros e ópera, este é o seu filme.
Fator de neutralidade: É uma crítica brilhante à loucura humana, sem necessariamente apontar o dedo para um "vilão" além da própria natureza da guerra.
3. Dunkirk (2017)
O filme de guerra para quem não gosta de diálogos
Christopher Nolan decidiu que roteiro é algo superestimado. Em Dunkirk, temos quase três linhas de fala e 100 minutos de puro tique-taque de relógio e ansiedade generalizada.
A Estrutura: O filme se passa na terra, no mar e no ar, tudo em tempos diferentes que se cruzam no final, porque o Nolan não consegue fazer um filme em linha reta nem para salvar a própria vida.
O Diferencial: Não há um "grande vilão" visível. O inimigo é o tempo e a física. É essencialmente um filme de sobrevivência onde o maior objetivo é apenas não morrer na praia.
Dica: Assista com um bom sistema de som. O barulho dos aviões Stuka vai fazer você querer se esconder debaixo da mesa da sala.
4. Nascido para Matar (1987)
A primeira metade é um clássico, a segunda é um bônus
Stanley Kubrick nos deu o que pode ser a melhor primeira metade de um filme na história do cinema. O treinamento dos fuzileiros navais é tão icônico que quase esquecemos que o filme continua depois que eles saem da base militar.
O Ícone: O Sargento Hartman. Ele não fala, ele cospe poesia agressiva. É o personagem que transformou o abuso verbal em uma forma de arte.
A Crítica: O filme explora como a guerra transforma seres humanos em máquinas de matar, perdendo qualquer rastro de individualidade no processo. É cínico, frio e brilhantemente executado.
5. Nada de Novo no Front (2022)
O lembrete de que a guerra é, na verdade, horrível
A versão mais recente da Netflix trouxe a perspectiva alemã da Primeira Guerra Mundial de uma forma que faz você querer tomar um banho quente e abraçar um pet.
O Enredo: Jovens entusiasmados se alistam achando que vão desfilar em Paris em duas semanas e acabam descobrindo que a realidade envolve muita lama e tecnologia de destruição em massa.
O Visual: As cores são lavadas, o som é visceral e a sensação de inutilidade é palpável. É o antídoto perfeito para filmes que tentam romantizar o combate.
Veredito: É um filme tecnicamente impecável que prova que, no fim das contas, a guerra não tem vencedores, apenas pessoas que cansam de lutar.
Qual assistir primeiro?
Se você quer ação heroica, vá de Ryan. Se quer questionar a realidade, Apocalypse Now. Se está com pressa e quer ansiedade, Dunkirk.
O cinema de guerra nos permite visitar o pior da humanidade sem sair do conforto do nosso lar, o que é, convenhamos, o maior privilégio da modernidade. Só não esqueça de desligar a TV e lembrar que, na vida real, o maior conflito que devemos enfrentar é decidir o que pedir no jantar.

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