Mas, deixando o cinismo de lado (só um pouco), o que faz um filme de esporte ser "top"? Seria a precisão técnica ou a capacidade de nos fazer chorar por um cavalo ou um jogador de beisebol que usa planilhas de Excel?
O Triângulo Amoroso: O Atleta, o Treinador e o Roteiro
Todo grande filme do gênero opera sob uma trindade sagrada. Primeiro, temos o Azarão (o Underdog). Se o protagonista não começar o filme morando num porão ou sendo ridicularizado por um rival com dentes perfeitos, o filme nem deveria ser indicado ao Oscar. Rocky Balboa pavimentou essa estrada com carne crua e degraus de museu. A crítica aqui é neutra: funciona sempre, mas a fórmula é mais previsível que final de campeonato estadual.
Depois, temos o Treinador Filósofo. Seja o Mickey de Rocky ou o Coach Carter, esses personagens não ensinam apenas tática; eles ensinam "A Vida". Se você sair do filme sem vontade de fazer 50 flexões e ligar para o seu pai, o roteirista falhou.
Dados vs. Destino: A Batalha Modernista
Recentemente, o cinema de esportes se dividiu. De um lado, temos os épicos viscerais como Touro Indomável, onde o esporte é apenas o cenário para uma tragédia grega. Do outro, temos a "Era dos Nerds".
Moneyball (Arremesso de Ouro) é o exemplo perfeito. Quem diria que Brad Pitt comendo sementes de girassol e olhando para tabelas de porcentagem seria mais emocionante que uma final de Copa do Mundo? O filme prova que o esporte moderno é tanto sobre matemática quanto sobre talento. É a beleza do algoritmo substituindo o "olho do dono". É frio? Talvez. É fascinante? Com certeza.
Quando o Cinema Pede "Var"
Nem tudo são flores (ou troféus). Às vezes, o cinema de esportes peca pelo excesso de melancolia ou pelo realismo exagerado. Filmes como King Richard fazem um trabalho brilhante em mostrar que, por trás de cada ídolo, existe um plano de dominação mundial arquitetado pela família. Já obras como Challengers (Rivais) trazem o esporte para o terreno do estilo e da tensão sexual, provando que o tênis pode ser apenas uma desculpa para um bom drama de relacionamento.
E não podemos esquecer das pérolas que abraçam o absurdo. Kung-Fu Futebol Clube é o lembrete necessário de que o cinema não precisa ser sério. Às vezes, a gente só quer ver alguém chutando uma bola que vira um tigre de fogo.
Por que ainda assistimos?
A verdade é que filmes de esporte são o "confort food" da sétima arte. Eles nos vendem a ideia de que, com o treinamento certo e uma trilha sonora de sintetizadores dos anos 80, qualquer um de nós pode vencer o campeão mundial.
Seja no ringue de Menina de Ouro ou nas pistas de Ford vs Ferrari, o que buscamos não é o placar final — a gente geralmente já sabe quem ganha se abrir o Wikipédia. O que buscamos é aquele momento em que o protagonista decide que não vai cair. E, se ele cair, que seja em câmera lenta, com uma iluminação dramática e uma lição de moral que a gente vai esquecer assim que os créditos terminarem de subir.
Conclusão: O cinema de esportes é um jogo ganho. Mesmo quando o filme é ruim, a jornada de superação ainda bate forte. É o único lugar onde perder pode ser tão heroico quanto ganhar, desde que você saia de cena com o olho roxo e a cabeça erguida.

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