Um Macaco, Uma Música e Muitos Sustos (Às Vezes Involuntários) em "The Monkey" (2025)
Crítica: The Monkey

The Monkey: Terror, Pratos e Risadas Nervosas

Prepare seu fôlego (e talvez uma banana de estimação), porque o novo filme The Monkey — baseado no conto homônimo de Stephen King — chegou para mostrar que brinquedos antigos, sons repetitivos e pelúcia em excesso podem ser mais perturbadores do que muito filme de terror com demônios digitais. Dirigido por Osgood Perkins (de A Filha do Mal), o longa promete um suspense psicológico... mas entrega também algumas risadas nervosas. E involuntárias.

Vamos com calma, porque The Monkey é uma daquelas obras que flerta com o terror clássico, mas acaba esbarrando na fronteira do trash, sem saber exatamente se quer cruzar ou pedir licença. O enredo gira em torno de dois irmãos que encontram, no sótão da infância, um macaco mecânico. Sim, daquele tipo que bate pratos e sorri como se soubesse de algo que você não sabe. Adivinha? Cada vez que ele bate os pratos, alguém morre. Porque, claro, essa é a função lógica de brinquedos antigos, não?

"A ideia, no papel, é interessante: um objeto amaldiçoado que atua como agente do mal, misturado com traumas familiares e mistério."

O roteiro até tenta criar uma atmosfera de “herança maldita” com clima retrô. Mas aí vem o dilema: o macaco é assustador… até a segunda cena. Depois disso, ele vira uma espécie de mascote de terror que parece mais pronto para uma convenção de brinquedos vintage do que para ceifar vidas humanas. Faltou só ele dançar ao som de "Happy" do Pharrell para virar meme.

O Elenco e a Atmosfera

O elenco tenta segurar a tensão. Theo James (White Lotus) se esforça no papel do irmão mais velho, dando aquele olhar de “eu sei que isso é ridículo, mas vou encarar com seriedade porque sou ator britânico”. A relação dos irmãos é o coração emocional do filme, e algumas cenas realmente conseguem entregar uma carga dramática genuína, principalmente nas interações que relembram o passado.

Já o roteiro parece uma criança em uma montanha-russa emocional: tem momentos de tensão legítima, seguidos por passagens que beiram o humor involuntário. A trilha sonora ajuda na ambientação, mas o efeito “macaco batendo pratos” não é algo que você queira ouvir repetidamente por duas horas — ou talvez você queira, se for fã de tortura sonora minimalista.

Visualmente, The Monkey abraça o estilo Perkins: sombras densas, fotografia gótica e um ritmo contemplativo. Isso funciona até certo ponto. Mas quando a história exige agilidade, o filme parece preferir uma pausa dramática... para contemplar o macaco. De novo. Com o mesmo sorriso sinistro. E o mesmo som. E o mesmo plano. A essa altura, o espectador já não sabe se ri ou se faz um exorcismo com pilhas AA.

O Veredito de King

Agora, sejamos justos: Stephen King sempre foi mestre em transformar o banal no bizarro. E sim, The Monkey tem seus momentos de glória. Há uma tensão crescente em algumas cenas, e o clima de “algo ruim vai acontecer, mas você não sabe quando” funciona. O problema é que, eventualmente, você já sabe quando: na próxima batida de prato. Isso tira boa parte do suspense e transforma o filme em um jogo de adivinhação mórbida.

Para os fãs de King, o filme é uma curiosidade. Não é uma adaptação brilhante como O Iluminado, mas também não é uma tragédia como A Torre Negra. Está naquele meio-termo estranho: tem um conceito bom, uma direção estilosa, atuações competentes, mas tropeça na execução e no próprio tom.

Talvez o maior mérito de The Monkey seja nos lembrar que, às vezes, o medo mais profundo vem de coisas aparentemente inofensivas: brinquedos da infância, sons repetitivos, ou aquele olhar inexpressivo de um bicho de pelúcia que parece te seguir com os olhos. E nesse quesito, o filme cumpre sua missão com dignidade e algumas risadas nervosas ao longo do caminho.

Conclusão

The Monkey é uma mistura de suspense com pitadas de comédia involuntária e uma trilha sonora que pode assombrar seus sonhos por semanas (ou pelo menos te fazer evitar feiras de antiguidade). Não é o terror do ano, mas é, sem dúvida, um dos mais... peculiares. Assista com expectativas moderadas, e quem sabe você não acaba simpatizando com o simpático assassino peludo?

Crítica de cinema - 2024

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